Flora e fauna da região foram prejudicadas após o ocorrido em agosto. Segundo a Agência Estadual do Meio Ambiente, área afetada é de 4,5 hectares e estudos buscam identificar outros danos.

Devido ao vazamento de óleo ocorrido no fim de agosto, a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) foi multada em R$ 705.969,16 pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) nesta sexta-feira (13). O resíduo não chegou ao mar, mas atingiu uma área de 4,5 hectares, causando a morte de animais e impactando vegetações de mangue, restinga e o solo da região, segundo o órgão.

Além do pagamento da multa, que integra quatro autos de infração pelos impactos à flora e à fauna da região e pela falta de apresentação de um plano específico de manejo da fauna, a refinaria localizada no Complexo de Suape, em Ipojuca, no Grande Recife, também precisa apresentar um plano de remediação para a região.

Durante os estudos feitos pela CPRH para identificar a área impactada pelo vazamento, foram coletadas amostras de oito pontos. A partir da análise, foi detectada a presença do óleo na região.

Barreira de contenção utilizada para conter vazamento na Refinaria Abreu e Lima, no Grande Recife — Foto: Rogério de Almeida/Sindipetro
Barreira de contenção utilizada para conter vazamento na Refinaria Abreu e Lima, no Grande Recife — Foto: Rogério de Almeida/Sindipetro

“Temos impacto na flora, na fauna silvestre, com oito animais resgatados e cinco mortos, sendo um jacaré, uma cobra e três pássaros, e em um corpo hídrico chamado Taveiro do Meio, dentro da refinaria”, afirma o diretor de controle de fontes poluidoras da CPRH, Eduardo Elvino.

O resultado também indicou que não há sinais de óleo nas águas do Rio Tatuoca, que deságua no mar. Por isso, a Agência descarta ligação com o piche encontrado em praias do litoral pernambucano no início de setembro, apesar da proximidade das áreas em que os dois fatos ocorreram.

“O óleo encontrado na área da refinaria é mais leve, enquanto que o material recolhido das praias tem maior densidade e elasticidade”, explica Elvino.

Depois da aplicação da multa, a CPRH procura identificar se há outros impactos na região. “O valor do auto de infração é mais uma punição para a empresa, mas o valor para a reparação do dano é muito maior. A recuperação da flora e da fauna na área pode levar de seis a 12 meses”, diz.

Piche nas praias

Além da substância oleosa encontrada em praias do litoral pernambucano, a CPRH registrou o aparecimento do mesmo material em praias da Paraíba, de Alagoas, do Ceará e do Rio Grande do Norte, estado com o maior número de ocorrências.

“Estamos trabalhando para cruzar dados obtidos com imagens de satélite para conseguir identificar o causador do dano. É difícil, mas estamos com uma força-tarefa da CPRH, Ibama, Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Capitania dos Portos e Universidade Federal de Pernambuco para saber quem lançou o material no mar”, afirma.

Manchas escuras apareceram na praia de Boa Viagem no início de setembro — Foto: Reprodução/WhatsApp
Manchas escuras apareceram na praia de Boa Viagem no início de setembro — Foto: Reprodução/WhatsApp

A multa para esse crime ambiental varia de R$ 50 a R$ 50 milhões. “Esse material é muito rico, tem uma rentabilidade grande, e serve para outras indústrias. Nossa investigação busca entender por que houve esse lançamento quando essa embarcação poderia ter o recurso garantido em determinado porto”, diz Elvino.

De acordo com a coordenadora técnica do Ibama, Lisânia Pedrosa, duas tartarugas foram resgatadas no início de setembro no litoral pernambucano e levadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas-Tangara). O número de animais prejudicados pelo descarte irregular de óleo ainda é contabilizado.

“Ainda não temos um dado consolidado de fauna petrolizada, mas isso está sendo verificado”, declara. As prefeituras de municípios cujas praias receberam o material também estão sendo orientadas para a limpeza e o descarte do material das praias.

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