José Maria Rosendo foi apontado como mandante do assassinato do promotor, em outubro de 2013. Ele estava foragido desde fevereiro, após fugir da Barreto Campelo, em Itamaracá.

Condenado pela morte do promotor de Justiça Thiago Faria Soares em 2013, José Maria Pedro Rosendo Barbosa, que fugiu da Penitenciária Barreto Campelo em fevereiro deste ano, foi capturado na manhã desta segunda-feira (29), em uma operação das polícias de Pernambuco e Mato Grosso do Sul e dos ministérios públicos dos dois estados. 

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) afirmou que ele se escondeu em áreas rurais na região da fronteira entre o Brasil e a Bolívia. Segundo a polícia, Rosendo estava na cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, há cerca de 15 dias. Antes, ele teria passado por locais como Cochabamba e Puerto Quijarro.

“Nós encontramos o rastro, a passagem dele por cinco cidades da Bolívia e na madrugada de hoje [29] foi confirmada a localização dele no Mato Grosso do Sul. Não houve tempo para reação. Ele foi preso de imediato”, disse o chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Joselito Amaral, em coletiva de imprensa no Recife.

No momento da prisão, o homem dono da casa em que José Maria Rosendo estava, um boliviano, foi levado a uma delegacia para prestar esclarecimentos, mas ainda não há confirmação de envolvimento com crimes. Não houve apreensão de materiais no momento em que o fugitivo foi capturado.

Chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Joselito Amaral [centro] em coletiva de imprensa sobre a recaptura de José Maria Rosendo, nesta segunda-feira (29) — Foto: Marina Meireles/G1
Chefe da Polícia Civil de Pernambuco, Joselito Amaral [centro] em coletiva de imprensa sobre a recaptura de José Maria Rosendo, nesta segunda-feira (29) — Foto: Marina Meireles

O possível envolvimento de Rosendo com traficantes de drogas está sendo investigado pela polícia a partir da prisão desta segunda. “Esse envolvimento dele com o tráfico internacional de drogas na Bolívia fez com que ele estivesse capitalizado para empreender a fuga”, disse Joselito.

Depois da captura, o procurado deve ser transferido a uma penitenciária em Pernambuco. O horário do voo e o presídio não foram informados por questões de segurança.

“Temos várias unidades em que podemos colocá-lo, mas achamos que ele deve seguir para um presídio de segurança máxima federal e vamos fazer essa solicitação ao Departamento Penitenciário Nacional”, disse o secretário de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco, Pedro Eurico.

Com a captura do procurado, os órgãos de segurança buscam, a partir de agora, pessoas que ajudaram José Maria durante os cinco meses em que foi procurado. “Ele não teria conseguido percorrer o espaço que percorreu em cinco meses sem o devido apoio, e é nisso que nós estamos debruçados”, afirma Joselito Amaral.

Promotor Thiago Faria trabalhava no comarca de Itaíba, no Agreste, quando foi assassinado — Foto: Facebook/Arquivo Pessoal
Promotor Thiago Faria trabalhava no comarca de Itaíba, no Agreste, quando foi assassinado — Foto: Facebook/Arquivo Pessoal

Julgamento e fuga

Em outubro de 2016, José Maria Rosendo foi condenado a 50 anos e 4 meses de reclusão em regime fechado, pela 36ª Vara da Justiça Federal em Pernambuco, devido ao homicídio doloso do promotor do MPPE e pelas duas tentativas de homicídio contra Mysheva Martins, noiva de Thiago, que estava dentro do carro com ele no momento do assassinato, e Adautivo Martins, tio dela.

Rosendo estava foragido desde 14 de fevereiro de 2019, quando detentos da penitenciária em Itamaracá, no Grande Recife, fugiram com o auxílio de uma escada improvisada. Houve ação de criminosos do lado externo, que dispararam contra agentes da unidade prisional e um policial militar que estava em uma guarita de segurança morreu na ocasião.

Entenda o caso

O assassinato do promotor Thiago Faria ocorreu em 14 de outubro de 2013, na PE-300, em Itaíba, no Agreste de Pernambuco. Durante os quatro dias de julgamento, o Ministério Público Federal (MPF) entendeu que José Maria Rosendo era o único interessado na morte da vítima.

A motivação do crime, segundo a Polícia Federal, envolveu uma disputa pelas terras da Fazenda Nova. Na época do julgamento, o MPF explicou que Faria atuou de maneira incisiva na imissão de posse da Fazenda Nova, onde Zé Maria morava e que foi desapropriada em favor de Mysheva, que arrematou 25 hectares da fazenda, incluindo a casa-sede, em um leilão da Justiça Federal.

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